“Apanhei, fui humilhada”: jovem de 23 anos faz relato sobre relacionamento abusivo e viraliza

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Atualizado em 14/06/2017

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Um relato poderoso e cheio de significado de uma jovem de 23 anos tem tomado a timeline de muita gente no Faceebok. O texto em que conta o que viveu durante um ano em um relacionamento abusivo e cheio de violência já tem mais de 11 mil reações, 5,2 mil compartilhamentos e mais de 500 comentários.

Corajosa, a produtora de vídeo Nane Mastrodomenico expõe não só seu rosto e história, mas prints de conversas em que é humilhada, xingada e maltratada por seu namorado/agressor. “Vadia”, “Vagabunda”, Você tá morta”, “Filha da puta” são palavras recorrentes nas mensagens do rapaz que está identificado no topo da tela como Gustavo.

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Reprodução/Facebook

“Gostaria muito de ainda ter 22 para poder apagar da minha vida o que vivi durante quase 1 ano. Pensei muito sobre se deveria escrever sobre a minha vida ou não e decidi que sim. Decido que devo colocar para fora o que tanto me atormentava e decido, de alguma forma, ajudar mulheres que passam pelo o que passei. Estou falando de relacionamento abusivo e violência contra a mulher”, afirma.

“Completou 2 meses que consegui sair de algo que nunca imaginei entrar um dia. Hoje me sinto bem e confortável para compartilhar e falar sobre isso. Me envolvi com uma pessoa aparentemente encantadora, algo típico de um agressor. Eu tinha acabado de sair de um relacionamento de 3 anos e meio. Um relacionamento de verdade. Mas só hoje percebi essa verdade e quão bem tratada e respeitada como mulher eu era”, relata.

Reprodução/Facebook

Reprodução/Facebook Nane

Nane conta que foi agredida fisicamente quatro vezes e outras dezenas verbalmente e psicologicamente. “Me desculpa mãe, por ter sido fraca. Mas eu apanhei. Eu apanhei, eu fui humilhada, eu fui maltratada, eu magoei pessoas que queriam o meu bem, eu estava cega e acreditava no amor. Acreditava nas promessas e arrependimentos do agressor”, diz. “E isso se repetiu quatro vezes. Eu apanhei quatro vezes. Apertões, sacudidas, chute na barriga, soco na nuca, soco no braço, tapa na cara, jogada no chão, cuspida no meu rosto. Por ciúmes. Por paranoias que ele causava. Eu apanhei por ele imaginar coisas”, relembra.

“Eu me sentia culpada. Achava também que realmente merecia ouvir palavras e xingamentos tão sujos. Da boca dele escutei muitas coisas que tinha vergonha de contar para alguém. E então sofria calada. Eu o amava. Era vista como tonta. Vadia, Vagabunda, Maldita, Desgraçada, Filha da Puta, Biscate, Mentirosa de merda, Você tá fodida na minha mão, Que vontade de quebrar você no meio, Você tá morta. Eu realmente estava morta. Tinha morrido por dentro. Não saia para lugar nenhum, não conversava com mais ninguém. Vivia em função de uma pessoa que me maltratava”, conta.

Reprodução/Facebook

Reprodução/Facebook

Nane Mastrodomenico resolve, então, explicar em que situações o agressor “explodia”. “Ficava em casa para evitar briga, para ver se podia tranquilizar o meu coração. Para ver se eu poderia ser chamada de amor mais um dia e não de vagabunda. Eu era vadia por ir até a padaria, eu era uma puta por ir buscar a minha irmã no metrô 23h, eu era uma vaca por dormir e esquecer de avisá-lo, eu era uma desgraçada por ver um filme e esquecer do meu celular por algumas horas…”, explica.

A jovem ainda manda um recado poderoso para outras mulheres que se vêem na mesma situação que ela vivia dois meses atrás. “O que mais eu poderia fazer? Nada! A culpa é dele! Ele é assim e nunca irá mudar. É por isso que resolvi escrever! Pois hoje entendo e sei que milhares de mulheres passam pelo o que nunca queria ter passado. Eu tentei até me matar. Pois doía muito ouvir coisas que eu não era. Hoje me sinto ótima e leve! Eu superei. Eu quis superar! Eu abri os meus olhos de uma vez. E sim, tomei a coragem que faltava e dei queixa na delegacia da mulher. Seja forte menina! Se você passa por algo parecido, não tenha medo! Erga a sua cabeça e não esqueça da mulher maravilhosa que é!”, completa.

Confira o relato completo:

Atrizes que sofrem abuso e humilhação nos sets

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Maria Scheneider

O diretor Bernardo Bertolucci não queria que a atriz "interpretasse" raiva e humilhação, mas sentisse, de surpressa. De acordo com um relato publicado pela revista Elle, Bertolucci confirma que ele e Marlon Brando realmente planejaram a famosa cena da manteiga com Maria Scheneider, sem que ela soubesse deste detalhe no script. Anos depois, Scheneider disse em entrevistas que se sentiu humilhada e violada com o abuso.

Créditos: Divulgação

Linda Lovelace

A atriz pornô Linda Lovelace, de "A Garganta Profunda", sofreu inúmeros episódios de abuso e violência nas mãos do marido Chuck, que a estuprava desde o casamento. Ameaçada e humilhada na frente da equipe de filmagem, Linda viveu os piores anos de sua vida enquanto esposa de Chuck, mesmo com o sucesso de bilheteria de Garganta Profunda. Chuck chegou a ordenar um estupro coletivo contra a mulher em troca de dinheiro, além de obrigá-la a fazer filmes degradantes. "Quando você assiste Garganta Profunda, você está vendo o meu estupro", contou ela, em seu livro "A Provação".

Créditos: Divulgação

Tippi Hedren

Muito se fala das "musas" de Alfred Hitchcock. A questão, porém, é que o diretor nutria uma verdadeira obsessão por algumas das atrizes escaladas para seus filmes. É o caso da atriz Tippi Hedren, que denunciou Hitchcock e o acusou de abuso sexual e perseguição. "Quanto mais eu lutava, mais agressivo ele ficava", disse Tippi em sua biografia.

Créditos: Divulgação

Léa Seydoux e Adèle Exchacapoulos

As atrizes Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux fizeram um par romântico em "Azul é a cor mais quente", filme que ganhou muita repercussão devido às cenas intesas e realistas de sexo entre as protagonistas. Para atingir a perfeição, o diretor Abdellatif Kechiche fez com que as mulheres repetissem as cenas eróticas por muitas vezes, à exaustão. Léa cortou relações com o diretor e afirmou que se sentiu usada e humilhada durante as filmagens.

Créditos: Divulgação

Dakota Johnson

Para muitos, "50 Tons de Cinza" passou longe de um filme erótico ou excitante. As cenas entre Dakota e Jamie, porém, foram mais extremas do que se imagina. Mesmo com a cautela do ator, Dakota afirmou que sentiu dor e desconforto durante as filmagens de bondage e chicotes.

Créditos: Divulgação

Shelley Duvall

O desespero de Shelley Duvall em "O Iluminado" não é mero exercício de interpretação. Kubrick manteve Shelley isolada do resto da equipe de atuação e a obrigava a repetir algumas cenas (como a do taco de baseball, por exemplo) por até 127 vezes, de maneira exaustiva, levando a atriz ao extremo desespero. Stephen King afirmou que o retrato de Wendy criado por Kubrick era um dos mais misóginos da história do cinema.

Créditos: Divulgação

Charlotte Gainsbourg

A protagonista de "Ninfomaníaca" sofria por conta do vício em sexo, submetendo-se a situações humilhantes e perversas. Na vida real, não foi muito diferente. Charlotte Gainsbourg contou que as cenas de masoquismo eram constrangedoras e humilhantes, além de extremamente exaustivas. "Usei uma prótese vaginal, então, todo dia, durante duas horas, tinha que lidar com alguém trabalhando ‘lá embaixo’".

Créditos: Divulgação

Sharon Stone

A atriz Sharon Stone também teve problemas com o diretor Paul Verhoeven durante a gravação de "Instinto Selvagem", com a famosa cena das pernas cruzadas. Ela não sabia que a parte íntima estava à mostra e chegou a pedir que Paul não incluísse aquele momento no filme. Sharon inclusive BATEU na cara do diretor, que negou o oportunismo e simplesmente falou: "Ela parou de reclamar quando ficou famosa".

Créditos: Divulgação

Adrienne Corri

"Laranja Mecânica" é um filme repleto de cenas violentas e explícitas. A atriz Adrienne Corri protagonizou um dos momentos mais angustiantes da trama, em que é estuprada por Alex e seus seguidores. Adrienne reclamou dessa cena, especificamente, e afirmou que teve de repetir as tomadas inúmeras vezes, quase nua e com as roupas rasgadas.

Créditos: Divulgação

Eiko Matsuda

"O Império dos Sentidos" foi o primeiro filme de arte com cena explícitas de sexo, situação que destruiu a carreira da atriz japonesa Eiko Matsuda, que passou a ser chamada de "prostituta" pelo público e pelo próprio governo. Ela foi proibida de atuar no Japão e precisou se mudar para a França, voltando ao país de origem após a descoberta de um câncer;

Créditos: Divulgação

Stoya

Stoya é mais uma atriz pornô a denunciar abusos reais cometidos nos bastidores. Em 2015, ela afirmou ter sido estuprada pelo ator James Deen. Outras atrizes decidiram fazer o mesmo e compartilharam episódios de abuso e agressão relacionados ao ator. Pelo menos seis mulheres foram violentadas e abusadas por Deen nos sets de filmagem.

Créditos: Divulgação

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