Assédio no Carnaval: mulheres relatam abusos em blocos pelo Brasil

João Vieira

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Atualizado em 21/02/2017

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Entra ano, sai ano, e a história se repete: homens heterossexuais atacam mulheres em blocos de rua pelo Brasil, com beijos roubados, perseguições, toques sem consentimento, ameaças e agressões físicas quando ouvem uma negativa.

Em 2017, porém, uma campanha maior contra o assédio sexual na folia tem ganhado força nas redes sociais, com mulheres compartilhando depoimentos de abusos que, por mais absurdos que sejam, são reais e podem acontecer com você que é mulher ou, se homem, com sua mãe, irmã, prima, amiga e até namorada/noiva/esposa.

Acontece com TODO MUNDO, viu?

Reprodução Acontece com TODO MUNDO, viu?

Um desses relatos é de uma usuária que estava trabalhando no bloco Casa Comigo, que desfilou pela zona oeste de São Paulo. O homem tentou tirar sua roupa e a agrediu quando ela reagiu.

“Depois de três horas trabalhando embaixo de sol, minhas amigas e eu estávamos indo embora junto com uma multidão, quando ele, vindo por trás, puxa e tira a minha parte de cima da roupa. Virei já reagindo, socando o homem que tinha o dobro do meu tamanho. Ele riu. Comecei a gritar, ‘Tá maluco?’, ‘Ele tirou minha roupa’. Um espaço se abriu. Continuei reagindo e tentando segurar o cara. “Chama a polícia, ele tirou minha roupa”, também lembro de gritar”, escreveu ela.

Carolina continuou: “nisso ele me agarra pelo pescoço e me enforca enquanto eu tento chutar. Me levanta pelo pescoço, e então me joga no chão. Caí. Sem blusa e sem ajuda. Foi quando machuquei meu braço. Levantei ainda mais nervosa, gritando mais alto e preparada pra machucá-lo mais. No único momento em que realmente nos olhamos nos olhos, lembro de ver que o pescoço dele estava todo arranhado. Depois me disseram que o braço dele também sangrou. Minhas unhas estão todas quebradas, então provavelmente é verdade”.

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Uma das fotos divulgadas pela usuária, que não vamos identificar por questões de segurança, mostra seu pescoço completamente roxo por conta das investidas do agressor.

(foto: arquivo pessoal)

(foto: arquivo pessoal)

Cansadas de investidas desrespeitosas, perigosas e violentas por parte de homens no Carnaval, um grupo de moças residentes em Belo Horizonte, Minas Gerais, lançaram uma marchinha que faz campanha pela conscientização do público que vai aos blocos. Veja no final da matéria.

Além disso, três outras foliãs de São Luiz do Paraitinga chamadas Marina Gabos, Amanda Cursino e Lia Marques resolveram criar o “apito do assédio”, que ganhou o apoio da Skol e se propagou por todo o Brasil, fazendo sucesso em cidades como São Paulo, Recife e Salvador. O projeto é simples: distribuir apitos para diversas mulheres que, ao se sentirem ameaçadas por investidas de agressores, usam o instrumento para chamar a atenção.

Lembrando que é possível fazer denúncias anônimas e em tempo real em qualquer canto do Brasil que você aviste um ato de violência. Basta ligar no número 180, que trabalha 24 horas, inclusive nos finais de semana, priorizando totalmente o atendimento às mulheres.

10 coisas que você não deve dizer a vítimas de assédio e violência sexual

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Tem certeza que você não flertou ou provocou primeiro?

Créditos: Giphy

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Você bebeu demais ou usou alguma droga, né?

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Por que você estava fora de casa àquela hora?

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Você deve ter dito alguma coisa que o irritou.

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Você tem certeza que as coisas aconteceram desse jeito, mesmo?

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Você deixou claro que não queria nada?

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Você não está exagerando um pouco?

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Precisava ter saído com essa roupa, também?

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Será que vale a pena fazer esse escândalo? Uma conversa não resolve?

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10 coisas que você não deve dizer a vítimas de assédio e violência sexual

Nem foi tão grave assim, né. Que tal deixar para lá e superar?

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