Brasil mata 2,5 vezes mais negros do que brancos, segundo dados do Ipea

João Vieira

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Atualizado em 5/06/2017

Brasil mata mais de 2 vezes mais negros que não negros

Agência Brasil/Reprodução Brasil mata mais de 2 vezes mais negros que não negros

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O Brasil mata 2,5 vezes mais negros do que brancos. Segundo dados consolidados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em uma pesquisa com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número tem como referência a taxa de mortalidade no país em 2015.

O levantamento se apoiou em registros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Ministério da Saúde e mostra, ainda, que enquanto a taxa de homicídios dos não negros caiu 12,2% entre 2005 e 2015, a de negros subiu 18,2% no mesmo período.

Há 12 anos, o número de mortes de pretos e pardos no Brasil era de 26,1 homicídios para cada 100 mil habitantes. 10 anos depois, era de 28,9 para o mesmo número. No caso de brancos, a taxa foi de 17,4 mortes por 100 mil para 15,3 por 100 mil no mesmo período.

Se separados por região, os dados são ainda mais alarmantes.

Em Alagoas, a taxa de negros mortos é 11 vezes maior que a de não negros. São seis casos por 100 mil registrados envolvendo brancos, contra 68,2 casos por 100 mil envolvendo pretos e pardos. Os não negros alagoanos tem a menor taxa de mortalidade do país, superando até São Paulo, que tem a menor taxa geral de homicídios.

Mortes de negros causam protestos pelo Brasil

Reprodução Mortes de negros causam protestos pelo Brasil

No Rio Grande do Norte, o crescimento da morte de negros foi de 331,8% entre 2005 e 2015. Para os não negros, o aumento foi de 64,1%.

Em ao menos 12 unidades da federação, o número de mortes de negros é ao menos três vezes maior que a de brancos. São elas: Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. No caso de Acre, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Piauí e Rio de Janeiro, essa diferença é de ao menos duas vezes.

Paraná e Roraima são os únicos estados em que a taxa de homicídios dos não negros supera a dos negros.

11 mulheres negras que já foram vítimas de racismo

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Taís Araújo, Sheron Menezes, Rihanna, Ludmilla e outras outras artistas negras vítimas de ataques raciais

Taís Araújo, Sheron Menezes, Rihanna, Ludmilla e outras outras artistas negras vítimas de ataques raciais.

Créditos: Reprodução / Instagram

Preta Gil

Preta Gil mostrou em seu Facebook diversos ataques racistas que sofreu numa postagem publicada nesta segunda-feira (25). A cantora foi chamada de macaca, além de sofrer com vários xingamentos machistas.

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Taís Araújo

Em outubro de 2015, seguidores entraram no Facebook da atriz e a atacaram com dizeres como "cabelo de esfregão" e "gorila de zoológico". Após os ataques, a hashtag #SomosTodosTaisAraujo bombou nos TTs mundiais.

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Maria Júlia Coutinho

Na página do Jornal Nacional no Facebook, internautas ofenderam a raça da apresentadora e um deles se referiu à Maju como escrava: "Onde compro essa escrava? Na época, o caso gerou revolta nas redes sociais e William Bonner e Renata Vasconcellos saíram em defesa da jornalista.

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Sheron Menezes

Nas redes sociais, a atriz foi atacada com comentários como "negona" e "escrava" e disse que tomaria providências contra os agressores.

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Ludmilla

No Instagram, a cantora foi xingada de "macaca lixo" e respondeu que o seguidor deveria ser preso.

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Cris Vianna

A atriz postou uma foto no Facebook e recebeu comentários do tipo "preta cabelo de bombril" e "ratazana africana".

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Rihanna

Em 2011, uma editora de uma revista holandesa se referiu à Rihanna como "vadia negra" e pediu demissão após a repercussão do caso.

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Amandla Stenberg

Pelo Twitter, a atriz que interpretou Rue em ‘Jogos Vorazes’ teve que ouvir que "estragou o filme por ser preta".

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Oprah Winfrey

A apresentadora contou em uma entrevista que foi impedida de comprar uma bolsa de grife em uma loja de Zurique, na Suiça, porque a vendedora não a reconheceu e disse que ela não teria dinheiro para pagar pelo produto.

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Halle Berry

A atriz revelou ao jornal Daily Mail que já foi chamada de "nigger" (termo pejorativo usado para pessoas negras) em Hollywood.

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Mariah Carey

Durante a divulgação do filme 'O Mordomo da Casa Branca', no qual a cantora interpretou uma personagem que sofria preconceito, Mariah revelou que na infância tomou uma cuspida no rosto apenas pelo fato de ser negra.

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