Estudante de medicina denuncia machismo em apostila de curso preparatório para residência

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Atualizado em 17/02/2017

Apostila de curso de Medicina

Reprodução Apostila de curso de Medicina

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Heloísa Cohim é estudante do 8º semestre de Medicina da Universidade Federal da Bahia e usou o Facebook para fazer uma denúncia sobre machismo encontrado em uma apostila que usou para estudar. O material foi produzido pelo Medgrupo, que é um curso preparatório para residência. O post da jovem foi apagado, mas foi reproduzido novamente pela Artemis, uma organização que busca a promoção da autonomia feminina e erradicação da violência contra a mulher.

“Sou acadêmica de medicina da Universidade Federal da Bahia e estou no 8º semestre. Na nossa grade curricular, é neste semestre que temos contato com a ginecologia e a obstetrícia. Por conta disso, comecei a utilizar alguns módulos do MedGrupo cedidos por colegas já residentes para estudar os conteúdos. No entanto, tive o desprazer, logo nas primeiras páginas do MED 2013: Síndromes de Transmissão Sexual, de ser exposta a casos clínicos com comentários machistas, e ilustrações que expõe o corpo feminino de maneira vulgar!”, afirmou, postando também fotos para ilustrar o que encontrou.

apostila montagem

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“Em certo caso, uma mulher era vítima de um relacionamento abusivo e, após traição e término do relacionamento, decidiu desfrutar da sua liberdade, tal cena é retratada com um desenho de uma mulher seminua fantasiada de “diabinha”. Em outro caso, uma menina portadora de vaginose bacteriana (um sofrimento, vale ressaltar) é retratada em um desenho de uma mulher seminua com vários peixes em cima do seu corpo e um homem de nariz tampado devido ao mal cheiro. Além disso, a última frase do caso relata que um dos testes necessários para o diagnóstico não foi realizado, porque o médico ficou ‘tão enjoado’ que o diagnóstico era evidente”, ressaltou.

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Além disso, Heloísa encontrou um caso que relatava uma uma passista de escola de samba que era descrita como “charmosa, de muitos atributos e sempre disputada pelos gringos”. “Gostaria de entender os objetivos de tais casos clínicos com tamanha falta de humanidade, bom senso e carregados de tanto machismo e julgamento. Muitos jovens do Brasil tem acesso a esses conteúdos, ou seja, os senhores são formadores de opinião e devem se responsabilizar mais por isso. Espero que as novas edições não apresentem tais absurdos”, finalizou.

Heloísa chegou a enviar um e-mail ao Medgrupo sobre o assunto e a resposta da empresa foi ainda mais surpreendente. “Somos contra a agenda do politicamente correto. Sugerimos a todos que não gostem deste estilo que não usem o nosso material, especialmente aqueles que não pagaram por ele”, afirmou o grupo.

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