Legalização do casamento gay reduz suicídio entre adolescentes, afirma estudo

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Atualizado em 22/02/2017

Taxa de suicídio entre adolescentes cai em estados dos EUA onde o casamento gay é legalizado

Reprodução Taxa de suicídio entre adolescentes cai em estados dos EUA onde o casamento gay é legalizado

Ter a oportunidade de se unir – no papel, em corpo e em alma –  à pessoa amada vai muito além da questão da igualdade matrimonial. De acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira, pelo periódico “JAMA Pediatrics”, as taxas de suicídio entre adolescentes caíram consideravelmente em estados norte-americanos onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido.

Nos EUA, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre os jovens de até 24 anos, principalmente entre gays, lésbicas e bissexuais, de acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças. Os dados foram recolhidos do Sistema de Vigilância do Comportamento de Risco de Jovens, em 2015, que realiza um estudo sobre o tema a cada dois anos.

Diante deste quadro, pesquisadores da Universidade John Hopkins resolveram investigar os efeitos da legalização do casamento gay sobre a saúde mental destes jovens, analisando 32 dos 35 estados que legislaram a favor da política inclusiva, antes da decisão da Suprema Corte, em 2015.

Eles avaliaram cerca de 760 mil jovens , de 1999 a 2015, e compararam os resultados obtidos aos de 15 estados onde a união homoafetiva não é legitimada. Os pesquisadores descobriram que, antes da legalização, a taxa de suicídio entre adolescentes LGB (lésbicas, gays e bissexuais) era de 28,5%; com a implementação de leis a favor da igualdade matrimonial, esse índice teve uma queda de 14 pontos percentuais.

Só no ano passado, de acordo com esses cálculos, mais de 130 mil jovens desistiram da ideia de por um ponto final à própria vida, influenciados pela política igualitária.

“Eles são estudantes que não pretendem se casar muito em breve, no geral. Mesmo assim, permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo reduz o estigma associado à orientação sexual desses jovens. É sobre ter direitos iguais, ainda que eles não queiram desfrutar disso na adolescência. São jovens que acabam tendo mais esperança no futuro”, explica Julia Raifman, pós-doutoranda na Escola de Saúde Pública da John Hopkins e uma das autoras do estudo.

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