Aos 43, Dira Paes fala sobre papel de avó em Salve Jorge: "Faz parte das famílias brasileiras"

Dira Paes, 43 anos, interpretará uma avó. Na novela Salve Jorge, da TV Globo, a atriz dará vida a Lucimar, mãe de Morena (Nanda Costa), que irá para a Turquia com a promessa de um emprego e vida nova, mas que será vítima de um esquema de tráfico de pessoas. 

De acordo com a atriz, a trama vai mostrar várias realidades comuns e tristes do Brasil. E até mesmo o fato de interpretar uma avó aos 40 anos é um reflexo da realidade do país. “Estamos falando de um mundo bem comum. Uma avó jovem já faz parte das famílias brasileiras”.

Em entrevista exclusiva ao Virgula Famosos, Dira Paes fala sobre sua personagem, padrões de beleza e o convite que recusou para posar nua. 

VIRGULA - Você vai interpretar uma avó na novela Salve Jorge e declarou que estará mais sarada. Explica melhor...

Dira Paes: (Risos) Gente, essa história de sarada é muito engraçada. Ontem mesmo chegou uma pessoa e falou: “Você vai interpretar uma avó tarada?” (risos). O povo levou a sério, mas eu só estava brincando. A Lucimar, na verdade, é uma avó jovem, porque foi uma mãe jovem e a filha (Morena, personagem de Nanda Costa) também foi uma mãe jovem. A partir daí, estamos falando de um mundo que atualmente é bem comum, acontece muito. Isso [uma avó jovem] já faz parte das famílias brasileiras, da história do Brasil. 

Em qual núcleo você estará na história? 

A Lucimar e a Morena moram no Complexo do Alemão, que está vivendo no processo da pacificação. A gente vive esse momento da comunidade do Rio de Janeiro, que será bem explorado. Só que a minha filha será levada pela Lívia (vilã interpretada por Claudia Raia) para trabalhar na Turquia, e será vítima de uma rede de tráfico de pessoas. [Trabalhar em Salve Jorge] está sendo uma experiência maravilhosa. A Glória Perez é a deusa das novelas, escreve tudo sozinha. Essa novela vai agradar ao público pela sua grandiosidade de culturas. Vai ter contraste com esse Brasil cheio de idiossincrasias. 

Lucimar será a sua primeira avó? 

Não, não. É a segunda vez que sou avó. Fiz uma no filme Dois Filhos de Francisco, sou avó da Wanessa Camargo (risos). Quer dizer, agora eu sou bisavó, já que ela também é mãe. Meu Deus! Sou bisa! 

Suas personagens – Norminha, Celeste, Solineuza – são marcantes no imaginário do público. O que te faz aceitar ou não um papel? 

Levo em conta que seja um papel legal, que eu consiga me projetar espontaneamente quando leio o roteiro. Sempre fico na expectativa de ler o roteiro e imaginar a cena, de me sentir inspirada pela personagem. Eu tenho dado sorte nos meus papéis. Amo quando o público aparece para falar de um personagem, dando o nome, detalhes. Esta resposta é um combustível. Tem gente que fala: “Tenho O DVD de Dois Filhos de Francisco e assisto toda vez que sinto saudades da minha família”. Então, permear a vida de alguém através de uma personagem é a função do artista. Seja ele fazendo rir, chorar ou irritando. 

A Celeste, de Fina Estampa, por exemplo, era uma personagem que colocava o dedo na ferida e trazia o tema da agressão doméstica para as famílias. Houve rejeição? 

É a função do ator fazer rir, chorar, irritar, incomodar. Muitas pessoas diziam que ela era muito parada, que deveria ser mais ativa. Ela não era uma personagem que seduzia o público. Ela fazia que o público se irritasse, esperasse que ela tomasse uma atitude. Como você disse, ela tocava em uma ferida. Acho que o artista tem que estar preparado pra as ondas que o personagem provoca. Ainda não sei como vão reagir com a Lucimar. 

Em recente entrevista, você diz que não se considera bonita para os padrões de beleza atuais. Mas você tem um padrão bem brasileiro de beleza, não acha?

Acho que os padrões de beleza não são necessariamente os padrões das brasileiras, o padrão brasileiro. A maioria tem uma tendência a ter um padrão mais americanizado de beleza. Mas eu sou muito bem resolvida, me gosto à beça, adoro quando as pessoas se sentem representadas por mim. Eu represento uma grande fatia da brasilidade das brasileiras. Mas o Brasil também tem muitos padrões, como o da Gisele (Bündchen), que é uma brasileiríssima.

Você foi convidada para posar nua quando interpretava a Norminha, de Caminho das Índias. O que achou do convite? 

Foi um convite tentador, porque a vaidade apareceu. Não tenho pudor em relação ao nu, ele faz parte da vida de um ator, que se despe para vestir um personagem. E os personagens tomam banho, fazem amor... Fiquei envaidecida quando recebi a proposta e fui muito bem tratada pela editora. O cachê também foi muito bom, mas não me senti preparada para esse ensaio. Se fosse um ensaio para mim, faria rapidamente, mas é um ensaio para o público e isso é outra coisa. 

Além das novelas, você estreou na última semana o filme A Beira do Caminho, que é inspirado nas letras das músicas do Roberto Carlos. Como foi gravar a novela Fina Estampa e gravar um filme ao mesmo tempo? 

Não é fácil e nem tão comum. Muita gente consegue fazer a dobradinha televisão-teatro, mas televisão-cinema é mais raro. Como comecei fazendo cinema aos 15 anos e só passei a fazer televisão em 2004, acho que as coisas fluíram mais naturalmente. Tento fazer (cinema) nas minhas férias ou então tentando alinhar com a novela. Fizemos tudo em sete semanas e algumas diárias neste tempo. O resultado me surpreendeu. 

O que o público pode esperar do filme? 

Sabe o filme que faz você pensar em você? É um filme que provoca uma reflexão pessoal muito grande, fala sobre escolhas. Afinal, somos frutos das nossas escolhas. Existem pessoas que preferem não escolher, preferem serem levadas pela vida. E existem pessoas que fazem escolhas erradas, é a vida. O importante é você ser o dono do seu caminho e não ficar à beira do caminho. Destaco também a interpretação de um menino chamado Vinicius Nascimento, que aos seus 12 anos de idade, dá um show. 

Você também pode gostar de:

Comentários: