Sancionada há 90 dias, lei que prevê vagas para bicicletas é ignorada por estacionamentos de SP

Em 6 de dezembro passado, o então prefeito Gilberto Kassab assinava uma lei municipal que obrigaria estacionamentos coletivos e privados a destinar parte de suas vagas para o uso de bicicleta.

Nesta quarta (6), vencem os 90 dias de prazo estipulado para a regulamentação da lei, sem que nada tenha saído do papel. A lei de número 15.649/2012, criada pelo vereador Marco Aurélio Cunha (PSD), determina que estacionamentos reservem pelo menos 5% das vagas para bicicletas. Mas, por enquanto, quem pedala em São Paulo tem que se virar para estacionar a bicicleta onde dá e rezar para encontrá-la depois.
 


"O vereador traduz em lei o que a sociedade pede. Fiz minha parte, a lei foi criada e sancionada pelo prefeito. Agora é contar com a boa vontade do executivo para que ela seja regulamentada. Tenho impressão de que essas questões ficam em segundo plano, imagino que deva ter como prioridade na pauta da nova Prefeitura questões como enchentes, educação etc.", diz o vereador Marco Aurélio Cunha. "Mas, se demorar mais do que esse primeiro trimestre para a lei entrar em vigor, aí vou me sentir obrigado a cobrar da Prefeitura", completa Cunha. Vale dizer que nenhuma lei municipal tem ação retroativa, portanto, ela só afetará estacionamentos novos ou que requererem alvará de reforma.

Procuradas pela reportagem, as redes Massis e Estapar não se posicionaram com relação ao assunto. Na prática, as duas redes, que estão entre as maiores de São Paulo, não aceitam ciclistas.

O fotógrafo Ignácio Aronovich usa a bicicleta como meio de transporte em São Paulo desde 1993. Ele conta, por exemplo, que, nesses 20 anos, nunca conseguiu estacionar sua bicicleta em estacionamentos do centro de São Paulo.
"Pedalar em São Paulo ainda é questão de sobrevivência. A infraestrutura para os ciclistas é precária, ainda falta tudo para melhorar, principalmente educação. É enorme a falta de comunicação entre o ciclista e o próximo, seja ele pedestre, motorista ou até mesmo outro ciclista", diz o fotógrafo.

Ainda assim, ele crê no aumento do uso das bikes como meio de transporte na cidade. “As pessoas que forem usando suas bicicletas para ir à padaria no final de semana verão que é possível fazer mais coisas no dia a dia de bicicleta, ou seja, a tendência é crescer cada vez mais o número de ciclistas nas ruas”, acredita.

A hostess Luma Assis, moradora do centro de São Paulo, diz que lá é o pior lugar para tentar parar a bicicleta. "Nenhum estacionamento disponibiliza segurança e infraestrutura para estacionar", diz Luma.

 Tiago Candiani e Luma Assis

"Já fui gongada em três estacionamentos no mesmo dia. Num deles, tive que ouvir do manobrista que não podia estacionar lá porque eles não gostavam de bicicletas. É muito chato, a gente ameaça entrar com a bicicleta e já é recepcionada com sinais de ‘não, não, não’", conta.

SHOPPINGS LEGAIS

Enquanto estacionamentos de rua são arredios com bicicletas, os que ficam dentro de grandes shoppings da cidade saíram na frente e já mantêm bicicletários gratuitos à disposição de quem chega pedalando. “Fiquei muito feliz quando vi que o Shopping Higienópolis construiu um estacionamento de bike bonito, amplo, novo e seguro”, diz Luma.

O jornalista Tiago Candiani usa suas bicicletas (ele tem três) para ir de sua casa, que fica perto da Praça Roosevelt (centro de São Paulo), ao trabalho, no prédio Kinoplex, no Itaim Bibi. “O bicicletário é ótimo, fica em frente à guarita do segurança e é afastado do estacionamento de motocicletas”, conta. Coisa rara em São Paulo, pelo menos por enquanto.

Como mostra a matéria feita pela dupla Victória Fava e Gabriel Garcia, ainda é dura a vida de quem busca estacionar bicicletas na cidade. Assista:




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