Com público renovado, Exaltasamba volta com novos integrantes: ‘Quase uma instituição’

Fabiano Alcântara

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Atualizado em 3/06/2016

Thell, Rommero, Jeffinho, Nego Branco e Brilhantina

Fábio Nunes Thell, Rommero, Jeffinho, Nego Branco e Brilhantina

Com novos integrantes, uma das bandas mais importantes da história do samba e pagode, o Exaltasamba iniciou uma turnê em abril. O motivo é comemorar 30 anos do grupo criado em 1986, em São Bernardo. Da escalação clássica, permanecem Thell e Brilhantina. Entraram no time: Nego Branco, Rommero e Jeffinho. “O que mais motiva é estar retomando a carreira artística de um grupo musical cuja marca Exaltasamba é quase uma instituição, que se sobrepõe a quaisquer dos componentes que façam parte dela”, afirma Nego Branco, em entrevista exclusiva ao Virgula.

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De brega a cult, hoje o Exalta é adorado pelos hipsters, que citam as letras clássicas do pagode dos anos 90 e promovem festas de revival. “É indiscutível que a entrada do Thiaguinho em meados dos anos 2000, trouxe uma jovialidade para o Exaltasamba e foi fundamental para a conquista de um público renovado. Por outro lado também, o Exaltasamba acreditou e investiu muito nas novas possibilidades trazidas pela internet na virada do século 21 e sempre esteve junto em eventos com artistas e bandas da Bahia que conquistaram os jovens nos anos de 2002 até 2009 com grandes eventos pelo Brasil”, diz Brilhantina.

Da mesma forma que o sertanejo hoje é o gênero mais popular do Brasil, o pagode já foi  hegemônico. Por isso, perguntamos para eles, que dica dariam para o pessoal do sertanejo que hoje está na crista da onda. Thell responde: “O sertanejo hoje domina 80% do cenário musical brasileiro porque são mais profissionalizados e perceberam logo que a internet mudou a forma como os brasileiros se comunicavam. Hoje, os compositores de maior sucesso do Brasil, estão no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil porque eles sabem usar a nova linguagem dos brasileiros. Por outro lado, o mercado sertanejo criou uma cultura de que o compositor tem que ser remunerado imediatamente por seu trabalho e paga a eles pela exclusividade na cessão do direito em gravar suas obras. Isso foi um grande incentivo ao surgimento de centenas de novos compositores para o mercado sertanejo”, avalia.

Para o músico, o perfil do brasileiro médio favoreceu o boom sertanejo, algo que ele não vê como temporário: “O Brasil tem mais de 5.700 municípios, sendo que 80% deles são pequenas cidades onde as pessoas vivem de agricultura e/ou pecuária. Assim, o Brasil é um pais sertanejo e sempre haverá um grande espaço para a música sertaneja. Porém, estar na crista da onda nas mídias nas grandes cidades será sempre algo cíclico, mas os artistas do mercado sertanejo com sucessos nacionais sempre terão um grande mercado de trabalho, independente de estar ou não na crista da onda”, completa.

Sobre o que permanece o mesmo, passados 30 anos de banda, Brilhantina dá a letra. “O que mais mudou no mercado musical brasileiro foi a importância da internet e suas redes sociais como forma de difusão das obras fonográficas e audiovisuais. Até os anos 90, o eixo cultural Rio-São Paulo é que determinava o que iria ser sucesso para o resto do Brasil e a popularização dos smartphones com acesso à internet mudou completamente isso. Hoje, a grande maioria dos brasileiros tem uma nova forma de se comunicar e os autores musicais de maior sucesso nem vivem dentro do eixo Rio-São Paulo”, constata.

Já em relação ao que permanece o mesmo, ele não faz média: “O que não mudou é o esquema adotado pelas emissoras de rádio das principais cidade brasileiras, que até os anos 90 tinham no caixa 2 as receitas do chamados ‘jabás’ para que tivessem em sua programação uma nova música e que a partir do anos 2000 passou para o caixa 1, oficial, onde sua maior fonte de renda deixou de ser a publicidade e passou a ser oficialmente a cobrança dos artistas, gravadoras e/ou empresários. Isso prejudica o surgimento de novos compositores e intérpretes e culturalmente é muito ruim para o Brasil”, desabafa.

Para quem acha, no entanto, que o Exalta vive de um passado de glórias, a explicação que os caras dão para a formação inédita, com três solistas, mostra que eles estão bem ligados no que está rolando no mercado. “Isso foi adotado com o objetivo de mostrar uma nova proposta de trabalho para atingir três grupos de públicos diferentes em suas faixas etárias. Jeffinho (22 anos) tem uma proposta voltada para o público mais jovem, o que fica bem claro na música O Mundo Tá Girando. Rommero vem com uma proposta de pagode romântico direcionado para um público na faixa de 20 a 30 anos, que hoje na sua grande maioria é fã do sertanejo universitário, e Nego Branco, afilhado de Chrigor Lisboa, tem sua vida muito ligada à história do Exaltasamba durante os anos 90 e ao trabalho do Chrigor de 2002 a 2006. Além de ser muito conhecido e conceituado no eixo Rio-São Paulo junto aos fãs do samba e do pagode, tem sua proposta de trabalho bem voltado para o público acima de 30 anos de idade que conhece bem as raízes históricas do Exaltasamba”, avalia Thell.

“Me liga/ Me manda um telegrama/ Uma carta de amor, de amor”, dizia Telegrama, ao lado de Esquece e Vem e Cartão Postal, entre tantas outras. Os mais novos podem nem saber o que é um telegrama, mas um hit de verdade sempre envelhecerá como bom uísque.

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