‘As pessoas precisam de carinho no meio desse turbilhão de coisas ruins’, diz Criolo

Alexandre de Melo

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Atualizado em 9/02/2017

Post de Criolo com a hastag #ALataVaiRevidar, referência ao projeto “Cidade Linda” de São Paulo que está apagando grafites. Crédito: Caroline Bittencourt/reprodução Facebook

“Bom dia, Alexandre. Bora falar de música e Lolla?”. Assim Criolo começou o papo exclusivo e descontraído com o Virgula, sem nenhum traço da já folclórica tensão do compositor em entrevistas. Talvez, sinal do amadurecimento que a estrada e os encontros dão, tema recorrente na conversa.

Experiência não falta para o artista que é um dos maiores destaques brasileiros no festival Lollapalooza Brasil que rola em São Paulo nos dias 25 e 26 de março. Rapper desde os 14 anos, Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo, lançou o primeiro álbum  “Ainda Há Tempo” apenas em 2006. Na mesma época, Criolo organizava “rinhas” de MCs em São Paulo, mas não tinha ideia que sua música chegaria em grandes festivais do mundo misturando reggae, afrobeat, samba e brega.

Depois vieram os aclamados “Nó na Orelha” (2011), “Convoque Seu Buda” (2014), “Viva Tim Maia!” ao lado de Ivete Sangalo (2015) e o relançamento de “Ainda Há Tempo” (2016).

Medalhões da MPB, Ney Matogrosso, Milton Nascimento, Caetano Veloso e muitos outros elegeram o paulistano de fala “mansa e filosófica” como um dos grandes compositores de sua geração. Mesmo assim, Criolo faz questão de dizer que apesar de já ter escrito canções com 14, 20, 30 e agora 41 anos, ele continua aberto a absorver informações e melhorar, assim como fez quando alterou um verso transfóbico da música “Vasilhame” ano passado.

Na entrevista abaixo, Criolo fala sobre voltar a tocar no Lollapalooza em uma fase mais consolidada da carreira, o impacto que o amadurecimento pessoal tem em sua música e gratidão que sente pelo público e companheiros de estrada como o DJ DanDan.

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No Lollapalooza de 2013 você atraiu uma multidão para o palco alternativo, celebrou a união da família rap e MPB, brincou sobre o Corinthians e pediu um “fora Feliciano”. Neste Lollapalooza, no atual contexto brasileiro, você também vai falar sobre união?

A gente tenta canalizar o que as pessoas querem expressar, mas de forma positiva. Não podemos esquecer que as pessoas também querem participar e a imensa maioria quer construir um caminho melhor.  Não podemos perder a esperança no bom senso. O nosso show tenta absorver isso tudo e trazer de forma positiva com música. Em 2017, a gente quer contribuir trazendo afago para as pessoas que estão precisando muito de carinho no meio desse turbilhão de coisas ruins.

Racionais MC’s, Karol Conka e Emicida já se apresentaram no Lollapalooza. O rap se mostra presente e forte não só nos festivais temáticos, mas nestes grandes festivais de rock e eletrônico. Como você percebe essa presença do rap nos festivais?

Essa troca é ótima. As pessoas se conectam bem melhor por conta da revolução da internet. Os horizontes vão além de escola, trabalho e família, nosso tecido social natural. Ainda bem, né? Nessa interatividade, a gente troca muito mais vivências e culturas. Faz todo sentido se abrir para novas experiências.

O que você está ouvindo atualmente que influencia na sua música e composições?

Cara, o último do Artur Verocai é espetacular! É tão bom que me fez ouvir novamente o disco de 72 dele e todos aqueles arranjos maravilhosos. Aí é fogo, viu cara? (risos). Eu estou ouvindo loucamente.

Falando em rever músicas, em “Vasilhame”, canção do seu primeiro disco que foi relançada ano passado, você trocou o verso “os traveco tão aí, alguém vai se iludir” por “o universo tá aí, oh! Alguém vai se iludir”. Na época você disse que percebeu que o termo é ofensivo à identidade da pessoa trans. A atitude foi bastante elogiada pelo público LGBT. Há outras letras que você mudaria hoje?

Eu não esperava esse abraço e compreensão das pessoas na mudança em “Vasilhame”. Fico feliz. A gente aprende e cai em si do real valor das palavras, né? Por exemplo, um belo dia o DJ DanDan  falou que eu estava usando a palavra denegrir, mas sem pensar no sentido. O lance da palavra negro ser usado como ofensa, sabe? Meu pai é negro e falava assim, mas nunca tinha pensado sobre isso. Eu ouvi o que o DanDan me passou e aprendi. Ofender alguém não tem a ver comigo nem antes, nem hoje e nem nunca. A gente vai aprendendo e vamos lá, podemos mudar a letra, sim. Já fiz isso outras vezes. Em “Subirusdoistiozin” tem uma hora que eu dizia: “As vadias quer, mas nunca vão subir”. Aí eu mudei para “as pessoas vadias que usam pessoas como trampolim social”. Em outra música eu falava “se o demônio usa saia, valorize sua mina”. Olha que armadilha! Eu queria fazer um texto sobre valorização da companheira e usei um jargão que mais uma vez demoniza a imagem da mulher. Eu mudei para algo como se o demônio te visitou, valorize a sua companheira. Eu escrevi canções com 14 anos de idade, 20, 30. Agora com 41 continuo aberto a absorver informações e melhorar.  Isso reflete na arte. Amadurecer atrai uma corrente positiva além do rap.

Criolo nos bastidores

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Criolo nos bastidores

Criolo e Dj DanDan em êxtase com o público de Maraú, Bahia

Créditos: Reprodução Facebook

Criolo nos bastidores

Criolo postou em seu Facebook esta foto com a hastag #ALataVaiRevidar, referência ao projeto "Cidade Linda" de São Paulo que está apagando grafites

Créditos: Caroline Bittencourt/ reprodução Facebook

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O rapper ao lado dos pais, Cleon e Maria Vilani no Centro Cultural do Grajaú (SP)

Créditos: Reprodução Facebook

Ivete Sangalo Criolo e Daniel Ganjaman nos bastidores do show em homenagem ao Tim Maia

Ivete Sangalo Criolo e Daniel Ganjaman nos bastidores do show em homenagem ao Tim Maia

Créditos: Reprodução Instagram

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Criolo na famosa entrevista para Lázaro Ramos

Créditos: Reprodução YouTube

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Mano Brown, Artur Verocai e Criolo

Créditos:

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Criolo e lenda do jazz etíope Mulatu Astatke

Créditos: Reprodução Facebook

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Créditos: reprodução Facebook

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DJ DanDan e Criolo

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Créditos: Divulgação

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Virada de 2016 em Brasília

Créditos: Reprodução Facebook

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Criolo com blusa do Corinthians, time do coração

Créditos: Virgula

Criolo nos bastidores

Créditos: Divulgação

DJ DanDan é um bom exemplo de parceiro que acompanha este amadurecimento artístico e pessoal

Sim. DanDan é irmão, pai, filho, tudo ao mesmo tempo e faz muitos anos. Um cara que tem o dom de movimentar a galera e pode ter certeza que vai sacudir muito o Lolla. Além dele, sempre reforço que meus pais são incríveis e vitais. Minha mãe, Maria Vilani, acredita sempre no ser humano e usa sua força para trabalhar na base, na escola pública, todos os dias, pra gente ter cultura e educação, mesmo nas maiores adversidades. Eu atuei como educador e sou artista, quer um exemplo mais bonito do que minha mãe?

Como foi esse período como professor?

Eu fui aluno de projeto social e isso mudou minha vida. Desde de você ter o que comer no dia até entender um pouco sobre o universo das artes. Eu sonhava um dia ser professor para retribuir para as pessoas tudo o que eu aprendi. Aí eu fui professor por um período e hoje como cantor e compositor eu continuo nessa construção.

O que esperar do show no Lollapalooza?

Vai ser uma apresentação com o coração e vamos caminhar por um pouco de cada um dos álbuns. Vem junto, família.

 

Criolo também toca na edição argentina do festival. Abaixo, você relembra o show do Lollapalloza 2013 na íntegra

SERVIÇO

Lollapalooza Brasil 2017
Datas: 25 e 26 de março
Local: Autódromo de Interlagos – Avenida Senador Teotônio Vilela, 261 – Interlagos, São Paulo (SP).
Classificação etária
Crianças com menos de 05 anos: não será permitida a entrada.
De 05 a 14 anos: Permitida a entrada acompanhado por pais ou responsáveis.
A partir de 15 anos: Permitida a entrada desacompanhados.
Acesso para deficientes
Vendas: https://www.lollapaloozabr.com/tickets/
Site oficial: www.lollapaloozabr.com

Line-up Lollapalooza 2017

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Lineup Lollapalooza 2017

Confira dia, palco e horário de apresentação das atrações do Lollapalooza 2017

Créditos: Divulgação

Metallica

Sábado, 25 de março. Palco Skol, 21h

Créditos: Divulgação

The Chainsmokers

Sábado, 25 de março

Créditos: Divulgação

The xx

Sábado, 25 de março. Palco Onix, 19h40

Créditos: Divulgação

Tove Lo

Sábado, 25 de março. Palco AXE, 20h15

Créditos: Divulgação

Marshmello

Sábado, 25 de março. Palco Perry's, 20h

Créditos: Divulgação

Rancid

Sábado, 25 de março. Palco Skol, 18h35

Créditos: Divulgação

Criolo

Sábado, 25 de março. Palco AXE, 18h45

Créditos: Caroline-Bittencourt/Facebook

Vintage Culture

Sábado, 25 de março. Palco Perry's, 18h45

Créditos: Divulgação

The 1975

Sábado, 25 de março. Palco Onix, 17h30

Créditos: Divulgação

Tegan and Sara

Sábado, 25 de março. Palco AXE, 17h15

Créditos: Divulgação

Tchami

Sábado, 25 de março. Palco Perry's, 17h30

Créditos: Divulgação

Cage The Elephant

Sábado, 25 de março. Palco Skol, 16h25

Créditos: Divulgação

Bob Moses

Sábado, 25 de março. Palco AXE, 15h45

Créditos: Divulgação

Glass Animals

Sábado, 25 de março. Palco Onix, 15h20

Créditos: Divulgação

Suricato

Sábado, 25 de março. Palco Skol, 14h15

Créditos: Divulgação

Don Diablo

Sábado, 25 de março. Palco Perry's, 16h15

Créditos: Divulgação

BaianaSystem

Sábado, 25 de março. Palco AXE, 14h15

Créditos: Divulgação

Haikaiss

Sábado, 25 de março. Palco Perry's, 13h45

Créditos: Divulgação

The Outs

Sábado, 25 de março. Palco Onix 13h10

Créditos: Divulgação

Jaloo

Sábado, 25 de março. Palco Axe, 12h45

Créditos: Divulgação

Ricci

Sábado, 25 de março. Palco Perry's, 12h45

Créditos: Divulgação

Doctor Pheabes

Sábado, 25 de março. Palco Skol, 12h05

Créditos: Divulgação

Victor Ruiz

Sábado, 25 de março

Créditos: Divulgação

The Strokes

Domingo, 26 de março

Créditos: Divulgação

Martin Garrix

Domingo, 26 de março. Palco Perry's, 20h45

Créditos: Divulgação

Flume

Domingo, 26 de março. Palco AXE, 18h45

Créditos: Divulgação

The Weeknd

Domingo, 26 de março. Palco Onix, 18h55

Créditos: Divulgação

Melanie Martinez

Domingo, 26 de março. Palco AXE, 17h

Créditos: Divulgação

Two Door Cinema Club

Domingo, 26 de março. Palco Skol, 17h35

Créditos: Divulgação

Domingo, 26 de março. Palco AXE, 17h30

Créditos: Divulgação

Duran Duran

Domingo, 26 de março. Palco Onix, 16h30

Créditos: Divulgação

GRiZ

Domingo, 26 de março. Palco Perry's, 17h

Créditos: Divulgação

Silversun Pickups

Domingo, 26 de março. Palco AXE, 16h

Créditos: Divulgação

Borgore

Domingo, 26 de março. Palco Perry's, 15h45

Créditos: Divulgação

Jimmy Eat World

Domingo, 26 de março. Palco Skol, 15h25

Créditos: Divulgação

Catfish and the Bottlemen

Domingo, 26 de março. Palco Onix, 14h20

Créditos: Divulgação

Vance Joy

Domingo, 26 de março. Palco AXE, 14h30

Créditos: Divulgação

Chemical Surf

Domingo, 26 de março. Palco Perry's, 14h30

Créditos: Divulgação

Céu

Domingo, 26 de março. Palco Skol, 13h15

Créditos: Divulgação

Daniel Groove

Domingo, 26 de março. Palco AXE, 13h

Créditos: Divulgação

Illusionize

Domingo, 26 de março.Palco Perry's, 13h30

Créditos: Divulgação

Bratislava

Domingo, 26 de março. Palco Onix, 12h25

Créditos: Divulgação

Oliver Heldens

Domingo, 26 de março. Palco Perry's, 18h15

Créditos: Divulgação

Gabriel Boni

Domingo, 26 de março. Palco Perry's, 12h30

Créditos: Divulgação

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