“Primeiro a música e depois os negócios”, diz Mano Brown, que lança turnê de álbum

Fabiano Alcântara

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Atualizado em 15/03/2017

Mano Brown

Gabriel Quintão Mano Brown

Ele é um poeta do gueto, nerd da música negra e da MPB das antigas. Dotado de inteligência rara, se orgulha de ser trabalhador e leal. Um dos quatro pretos mais perigosos do Brasil, o Mano Brown, dos Racionais MC’s, tem um lado soulman/missionário do funk que alguns tinham ouvido falar, mas agora muitos estão conhecendo graças a Boogie Naipe, primeiro álbum solo do ídolo.

O evangelho do funk e soul de Pedro Paulo Soares Pereira, verdadeiro nome de Brown, começa agora a chegar até os fiéis do groove também nos shows. Ao lado do cantor Lino Krizz, co-produtor do disco, o MC e cantor sobe ao palco do Citibank Hall no dia 12 de maio com uma banda formada por sete músicos, dois backing vocals, e o mago das pick-ups DJ Dri.

Participam do disco Seu Jorge, Hyldon, Ellen Oleria, William Magalhães (da Banda Black Rio), Carlos Dafé, DJ Cia, Wilson Simoninha e Max de Castro. Os fãs esperam que alguns deles também sejam convidados para os shows de lançamento. Por enquanto, nenhum destes nomes foram anunciados para os shows já anunciados em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na apresentação em São Paulo, Rael e Rincón Sapiência fazem os shows de abertura.

Como você se relaciona com as redes sociais?
Mano Brown - Rede social é muito importante, é a comunicação direta com o público, interagir. Eu interajo através do Instagram. É legal ver o que as pessoas pensam sobre você e sobre o mundo. Você se colocar na situação e entender até onde você pode melhorar, interferir. É legal saber, um universo que está em volta de você.

Como é ser um exemplo para os jovens?
Brown - Eu não sei se sou exemplo. Um exemplo que eu posso passar é ser um cara trabalhador. Um cara dedicado, que ama a família, que ama Deus, que ama a natureza, as crianças, os bichos, a música. Mas temos todos os defeitos de um ser humano normal. Não tenho problema em falar, não sou perfeito mesmo. Não sei se sou um exemplo. Ser trabalhador, leal, esse é o meu exemplo.

Como a rádio influenciou e moldou o seu gosto musical?
Brown -  Eu cresci na fase da discoteque. Então eu cresci ouvindo a rádio da mulher que cozinhava no colégio interno onde eu estava internado. Só ela podia ouvir a rádio. O dono do colégio proibia ouvir discoteque porque ele considerava amoral, era época de militarismo e tal. Mas tinha a cozinheira que ouvia o radinho escondido e era só discoteque, música de época. Então a maioria da molecada da minha época cresceu ouvindo toca rádio. Não tinha toca-fita, não tinha aparelho de som, tinha os rádios pequenos onde a gente ouvia o que gostava. A rádio é muito importante.

Seu disco se baseia em uma sonoridade que vai de 76 a 82. O saudosismo pode ser uma coisa positiva?
Brown - Pode ser considerada uma coisa saudosista, mas eu prefiro ver como uma coisa assim, crossover. Onde você mistura químicas antigas com uma nova química e faz uma química nova. Eu trago para o universo de 2017, eu quero que ela seja assimilada aos moldes de 2017 e não naqueles moldes dos anos 70, que é impossível, certo? Não tem como.

Mano Brown

Gabriel Quintão Mano Brown

Qual foi a maior lição que aprendeu com Leon Ware? (compositor, parceiro de Marvin Gaye, Michael Jackson, Quincy Jones, ele assina parceria com Brown em Felizes. Ware faleceu em 23 de fevereiro)

Brown – Foi uma coisa que ele falou para mim assim. Quando eu comecei a falar com ele sobre negócios, ele disse vamos falar primeiro sobre música, depois falamos de dinheiro. Eu falei, porra, aí eu entendi o cara. É exatamente como eu sou. Eu sou assim também. Primeiro a música e depois os negócios.

Que música gostaria de ter feito?
Brown - I Want You, do Marvin Gaye.

Quando percebeu que seria músico?
Brown - Eu tinha uma breve impressão que eu seria músico já bem de novo. Eu sempre gostei muito de som. Eu ouvia música na rádio e saía cantando, imitando. Quando saiu aquele disco do Grandmaster Flash em 82 eu tinha um compacto que era de um lado vocal e de outro instrumental.

Como foi que caiu a ficha?
Brown –  Um concurso de rap em 1988 no Asa Branca de Pinheiros, quando eu fiz o meu primeiro rap. Não cheguei a concorrer com ele, mas no meu segundo rap eu concorri e ganhei.

Que dica daria para um iniciante?
Brown -  Você tem que amar a música acima de tudo. A música é egoísta, ela precisa de todo amor que você tem por ela, você dedicar nela, 100% a ela, se não você não vai ter retorno nenhum. Tem que ouvir muita música, de todas as épocas, de todos os gêneros. Se situar, entender e fazer diferença.

Quais são seus próximos projetos?
Brown - Promover este álbum, que eu lancei dia 9 de dezembro, e fazer o novo álbum dos Racionais.

SERVIÇO

Mano Brown – Boogie Naipe no Citibank Hall
avenida Nações Unidas, 17.955 – São Paulo – SP
A pré-venda dos convites começa dia 22/03 e as vendas gerais abrem dia 28/03 no site da T4F www.t4f.com.br

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