Primeiro vocalista do AC/DC fala sobre shows no Brasil e relação com os irmãos Young

Dave Evans se apresenta em setembro em Curitiba e São Paulo

Redação

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Atualizado em 25/08/2014

Se você pensa que o primeiro vocalista do AC/DC foi o inesquecível Bon Scott, morto em 1980, está enganado. Antes dele entrar para uma das bandas de rock ‘n’ roll mais famosas do mundo, Dave Evans assumiu o vocais no período de 1973 a 1974, sendo um dos fundadores do grupo ao lado de Malcolm e Angus Young, e também um dos compositores das conhecidas músicas Can I Sit Next to You, Girl e Rockin’ in the Parlour.

INÍCIO E ESTILO

Segunda a biografia Let There Be Rock, de Susan Masino, Evans entrou no AC/DC por possuir um visual hard rock ‘super estiloso’, e foi essa mesma extravagância que o afastou aos poucos da banda, por destoar demais dos outros integrantes. Era uma época de início de carreira em que eles se apresentavam diariamente em pubs australianos (muitas vezes fazendo de dois a quatro shows por dia), o que desgastava a relação entre os músicos. Porém, foi uma briga (na porrada mesmo!) com o manager que tirou Evans por definitivo do AC/DC, e o fez guiar sua própria carreira.

Agora, Evans vem pela primeira vez ao Brasil para dois shows (dia 19 de setembro em Curitiba, e 27, em São Paulo) para promover seus recentes trabalhos solos (Sinner, de 2006, e Judgement Day, de 2008) e também relembrar alguns clássicos do AC/DC. O Virgula Música conversou com o vocalista, que falou como anda a sua carreira e relembrou os tempos em que subia ao palco com os irmãos Young – além de dar uma dica de como eles andam ultimamente. Leia a entrevista;

Virgula Música: Dave, como serão seus shows no Brasil? 

Dave Evans: Vou tocar com os meus Badasses (caras durões) da América do Sul no Brasil. Eu chamo os meus músicos de apoio do mundo todo de Badasses, seja na Inglaterra, Austrália, EUA, etc. Pretendo tocar músicas do meu disco Sinner, Judgement Day e Revenge. Para os fãs do AC/DC tocarei algumas antigas da banda.

Os fãs sempre pedem músicas do AC/DC em seus shows? Como você lida com isso?

É incrível que depois de todos esses anos, os fãs ainda gostam de me ouvir cantar as músicas que eu fiz com o AC/DC, como Can I Sit Next to You, Girl e Rockin’ in the Parlour, e tenho orgulho de cantá-las para eles, junto com o meu próprio repertório de hard rock ‘kick ass’ (chuta bundas).

 

 

Quais as suas memórias de quando era membro do AC/DC? Como foi fazer parte da banda?

A experiência de ter feito parte do AC/DC ainda é muito viva em minha memória. Eu me lembro dos nossos primeiros encontros, o nosso primeiro show, as primeiras gravações, o primeiro clipe, do primeiro acorde, das turnês e das vezes que rimos juntos, mas também de alguns momentos difíceis que passamos juntos. Se eu for contar tudo, vai ser preciso um livro para registrar este importante momento em que estive no AC/DC. É algo que preciso fazer.

E como foi a sua saída do AC/DC? Como você lida com isso hoje?

Foi muito triste quando eu soube que não poderia continuar com a banda. Muitas coisas e pessoas mudaram drasticamente desde quando começamos, e tivemos novos músicos na banda. Alguns managers mudaram e eu me senti como se estivesse sendo usado. Como estávamos trabalhando muito duro na turnê, obtendo sucesso e tendo pouquíssima (ou nenhuma) remuneração, eu questionei o nosso manager. Então vieram os golpes (os dois brigaram mesmo) e a coisa não ficou muito boa. Foi muito decepcionante ter que sair, mas não demorou muito tempo até que eu encontrasse outra banda, o Rabbit. Gravei com eles e caímos na estrada. Tive sorte de ter tido uma longa carreira no rock n’ roll, e foi um prazer trabalhar com grandes músicos do mundo todo, sempre gravando discos e recebendo altos elogios.

Como você conheceu Angus e Malcolm Young?

Eu respondi a um anúncio no jornal de Sydney. A vaga era para ser cantor de uma banda de hard rock. Eu liguei e a pessoa que atendeu a chamada foi Malcolm Young, que eu já conhecia da banda Velvet Underground (não é a mesma de New York, liderada por Lou Reed). Malcolm me pediu para vir a uma sala de ensaio. Cheguei, encontrei ele e fizemos uma jam com outros dois caras, Larry Van Kriedt e Colin Burgess. Fui aceito e formamos a banda. Uma semana depois, Malcolm me perguntou se seu irmão mais novo, Angus, também poderia fazer um teste. Angus fez o teste e foi aceito. Então, éramos nós cinco.

 

Você teve contato com Bon Scott?

Sim, enquanto eu estava na banda. Bon Scott nos foi apresentado pelo agente dos shows do Sul da Austrália, enquanto estávamos em turnê. Bon tinha uma banda chamada The Valentines, e ele costumava vir aos nossos shows e ficar com a gente. Ele era um cara gente boa e estava sempre fazendo palhaçadas, sempre se divertindo. Também o encontrei depois que ele se juntou ao AC/DC e desejávamos sorte um ao outro.

Você fala com os membros do AC/DC hoje?

Eu não falo com Malcolm e Angus (os únicos da formação original) desde meados da década de setenta, e os vi apenas uma vez depois que Bon Scott tinha acabado de entrar na banda. Hoje em dia Malcolm não está muito bem e possivelmente nunca mais irá tocar ou gravar novamente. Angus é mais recluso. No entanto, sou bastante amigo do filho de Malcolm, o Ross, e ele é um grande fã meu. Ele adora a minha banda Badass e me chama de tio Dave, o que acho incrível. Às vezes ele fica em cima do palco comigo nos meus shows em Sydney, e quando o público o vê, vai à loucura.

É possível que um dia você cante com o AC/DC novamente, talvez em uma ocasião especial? Você gostaria que acontecesse?

Isso seria ótimo, para que os fãs pudessem ver e ouvir. No ano passado, em 2013, foi o 40º aniversário do nosso primeiro show em Sydney, no dia 31 de Dezembro de 1973. Era uma boa ocasião.

 

 

Quais são seus planos para depois da turnê brasileira?

Acabei de voltar de uma turnê na Ucrânia e foi incrível. Grandes astros como Peter Gabriel, Depeche Mode e Aerosmith cancelaram seus shows por lá, mas eu mantive a minha palavra e fiz meus shows. Fui tratado tão bem que estou ansioso para voltar e ‘chutar bundas’ novamente.

 

                   

 

SERVIÇO:

Show: Dave Evans

19/09 – Curitiba/PR
Local: Millenium Disco Clube de Pinhais
End: João Leopoldo Jacomel , 12329
Abertura da Casa: 23:00h
Informações: (41)3033-1978
Ingressos: 1º Lote: R$ 40,00

27/09 – São Paulo/SP
Local: Gillans ‘ Inn English Rock Bar
End: Rua Marquês de Itu, 284 – Centro
Abertura da Casa: 20h
Banda de abertura: Ed House
Informações: (11) 3129-8710 / 2765-0966 e producao@gillansinn.com.br
Ingressos (venda exclusiva na casa)
Piso Térreo Palco: R$ 70,00 | Piso superior: R$ 50,00

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