Breeders levam fãs de volta aos anos 90 em show lotado em SP

Em noite mais fria do ano, Breeders lotam antigo cinema em São Paulo com show de 20 anos do disco Last Splash

O que seria capaz de arrancar paulistanos de casa na noite mais fria de São Paulo em décadas? Mais eficiente do que um voucher para comer fondue de graça, o show da banda americana Breeders aqueceu a alma de quem enfrentou a sensação térmica de 0 grau registrada nesta quarta (24) e foi até o Cine Joia na festa Popload Gig.
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Dezenas de quilos mais magras, as irmãs Kim e Kelley Deal comandaram uma noitada nostálgica e emocionante diante de 1.300 fãs que lotaram, literalmente, o Joia. Não, ninguém queria ouvir músicas novas das Breeders, todos estavam ali pra ver e ouvir o mais amado dos discos das meninas, Last Splash, o da capa verde com um coração, no show comemorativo de 20 anos do álbum.


“We have come for light…” foi a primeira frase de Kim ao microfone, como quem coloca com vontade um disco na agulha para começar a tocar. Era o início da viagem, a primeira música do álbum, New Year, com seus menos de dois minutos de duração.

Os corações já batiam acelerados porque (sim, antigamente as pessoas decoravam a ordem das músicas de um... disco!) todos já sabiam àquela altura que Cannonball seria a próxima. “Aúúúú-uuuu. Aúúú-uuu”, entoou a vocalista, auxiliada, em coro, pelas pessoas que lotavam o antigo cinema na Liberdade. Sim, era, de novo, 1993.

Um show de rock de verdade, com gente suada no palco, gente suada na plateia. É isso que as meninas (e o menino, o ótimo batera Jim MacPherson) gostam de fazer.

Em mais de 20 anos de banda, esta foi a terceira passagem das Breeders pelo Brasil (Curitiba Pop Festival em 2003 e Planeta Terra em 2008), e algo me diz que pelo menos uma parte do público que lotou o Joia nesta quarta já esteve em outro show da banda por aqui.

A moda de tocar álbuns inteiros não poderia ter sido mais bem materializada como nesse show. Last Splash é perfeito para ser ouvido numa tacada só. É curtinho (39 minutos e 38 segundos), tem a dinâmica roquenrol dos álbuns do grunge, com músicas lentinhas alternando com pop rock perfeito, açucarado pela voz aveludada de Kim Deal.

Falar de Pixies é inevitável, mesmo porque a atuação da ex-banda de Kim, ao vivo, é igualmente poderosa. A diferença é que no palco das meninas tem muito mais diversão e risadas. Se elas estão batendo a nossa carteira não faz a menor diferença.

“No bye, no aloha...”, canta Kim, é o começo de No Aloha. As pessoas na plateia se entreolham e começam a cantar junto. Não tinha Google em 93, mas tinha encarte, então as letras estão mais ou menos em ordem.

Com o mesmo visual largado de 20 anos atrás, elas foram tocando as músicas do disco, emendadas com vários “obrigados” e “tudo bens?” da simpaticona Kim.

Corta para Kim trollando a irmã no palco: “Agora a Kelley vai cantar sobre como ela é triste”. Rindo muito, Kelley pega o microfone e manda Do You Love Me Now, a mais romântica do disco.

Daí I Just Wanna to Get Along entra nos ouvidos como se fosse a trilha sonora de um portal para os anos 90. Vem à cabeça de Plano Real ao Hollywood Rock "grunge” (aquele que teve Nirvana e L7), passando por Dunga, Tamagochi, camisa de flanela, Barrados no Baile, carros Lada e Princesa Diana.

O álbum já estava chegando na metade, mas ainda viria pela frente Divine Hammer, outra música das meninas que virou hit de MTV nos anos 90, seguida por HagSaintsDriving On 9. Ouvir todas essas músicas na ordem certa e tocadas com tanta vontade realmente valeu deixar em casa qualquer sopa e cobertor quentinho, uma atitude totalmente rocker para os hoje quarentões fãs da banda.

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