Thundercat venceria supremacia branca todas as noites por 7 a 1

Fabiano Alcântara

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Atualizado em 18/08/2017

Thundercat no Sesc Pompeia

Érika Mayumi Thundercat no Sesc Pompeia

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Thundercat hooo….

Celebrado como uma das grandes novidades da música atual, o baixista e cantor Thundercat, que se apresentou na quinta (17), no Jazz na Fábrica, do Sesc Pompeia, e volta ao palco do festival nesta sexta, emerge como uma das maiores forças da cultura dos Estados Unidos. Em tempos em que o pesadelo do fascismo e do racismo encontram ressonância em um certo presidente e na manifestação de Charlottesville, o músico de 32 anos é um antídoto contra a insana teoria da supremacia branca.

Partindo da premissa de que o jazz é uma das maiores expressões da cultura estadunidense, Thundecat se situa em um paralelo que começa com os músicos negros do be bop, que tocavam tão rápido que não podiam ser imitados por brancos, casos como Charlie Parker e Dizzy Gillespie.

De Los Angeles, Stephen Bruner, o Thundercat, também tem relação com a revolução seguinte, o hard pop, que veio da Costa Oeste.

Aos 32 anos, o dedilhado mais rápido do oeste, faz parte da turma do selo BrainFeeder, também de LA, de onde surgiram Flying Lotus, Kamasi Washington, Miguel Atwood-Ferguson, Austin Peralta, Taylor Mcferrin. Uma galera apresentada como a nova geração que fez com que o jazz voltasse a ser cool – como se algum dia tivesse deixado de ser.

Metralhadora de notas musicais com seu baixo de seis cordas, Thundercat não erra uma, não perde nada, ao contrário do que seu rebuscamento barroco poderia sugerir.

Sua apresentação não é só jazz, se relaciona também com serviços de barulheira prestados ao Suicidal Tendencies. É hardcore ser preto em um país em que nazis não tem vergonha de ser anti-negro, anti-latino, anti-mulher, anti-gay, anti-trans, anti-semita, anti-árabe. E para quem ama o jazz, expressão da liberdade, estar próximo da majestade de Thundercat é um bálsamo. Ódio se dissolve diante do milagre da sua música.

O fato é que Bruner é um Neymar; Justin Brown (bateria) seria Gabriel Jesus; Dennis Hamm (teclado), Paulinho. Se fosse um jogo, todas as noites eles humilhariam os supremacistas brancos com um 7 a 1.

 

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