“Eu fiz aborto”: a importância de Hebe Camargo para o feminismo na TV aberta

Por

Atualizado em 8/03/2017

Hebe Camargo completaria 88 anos

Divulgação Hebe Camargo completaria 88 anos

Leia mais

Já se vão quase cinco anos desde o dia 29 de setembro de 2012, quando Hebe Camargo, uma das maiores apresentadoras da história da televisão brasileira, nos deixou. Conhecida por seu trabalho no SBT, a entrevistadora, cantora e atriz completaria, nesta quarta-feira (8), 88 anos.

Hebe faz aniversário no mesmo dia em que se é comemorado o Dia Internacional da Mulher, data marcada pela luta das mulheres contra a violência sexual, a desigualdade de gênero no mercado de trabalho e, principalmente, o machismo.

Apesar de ser lembrada por posicionamentos conservadores no passar dos anos, como o apoio a Paulo Maluf, a presença na Marcha pela Família, que apoiava a Ditadura Militar instaurada em 1964, e a campanha por Collor em 1989, Hebe talvez seja uma das primeiras personalidades a falar abertamente sobre temas feministas na televisão.

Aborto

No programa Roda Viva, da TV Cultura, em 1987, a apresentadora, rodeada por homens conservadores, defendeu que o aborto era algo “particular” e até argumentou sobre sua legalização, em uma época em que o assunto estava longe de entrar em pauta. Ela, inclusive, assumiu ter abortado uma gravidez nos anos 1940.

“Lembro de uma mulher falando alto: ‘Não grita! Não grita’!”, disse ela em entrevista na época sobre a sua experiência em uma clínica clandestina.

Liberdade sexual 

Hebe Camargo e Rita Lee

Reprodução Hebe Camargo e Rita Lee

Mesmo sendo bastante julgada pelos olhares menos liberais, Hebe Camargo nunca deixou de exercer em público a liberdade sexual que acreditava que toda mulher deveria ter. Hebe falava sobre sexo abertamente quase sempre, com frases marcantes e bastante simbólicas.

“Acho que não daria certo. Eu teria muito ciúme. Seria melhor se fosse só sexo.”, disse ela durante uma entrevista sobre namorar com Roberto Carlos. 

Opiniões vendidas? 

Para muitos, porém, Hebe vendia suas opiniões. Foi uma grande voz feminina na televisão controlada pelo regime militar. Por anos, utilizou sua imagem “prafrentex” para fins publicitários, como promoção de venda de eletrodomésticos e coisas do tipo.

Mesmo assim, Hebe até hoje é lembrada como uma importante figura feminina na televisão brasileira, em uma época onde era difícil se fazer sucesso com a língua afiada sendo mulher, mesmo que poderosa e com boas relações com quem interessava.

Sugerir correção

Relacionados ao assunto

Carregar mais

Comentários